Papa Francisco

Vaticano muda fala do papa sobre psiquiatria e homossexualidade

Uma declaração do papa Francisco no retorno da visita à Irlanda, neste domingo (26/8), motivou críticas de associações ligadas ao movimento LGBT. E obrigou o Vaticano a retificar uma fala do pontífice. A jornalistas, o pontífice afirmou que pais e mães de crianças com tendências homossexuais deveriam submeter os filhos a tratamento.

Na ocasião, em um voo para o Vaticano, o papa foi indagado sobre o que falaria a pais que percebem orientações homossexuais nos filhos. “Diria a eles, em primeiro lugar, que rezem, que não os condenem, que dialoguem, entendam, que deem espaço ao filho ou à filha”, respondeu. “Quando isso se manifesta desde a infância, há muitas coisas para fazer por meio da psiquiatria, para ver como são as coisas. Outra coisa é quando isso se manifesta depois dos 20 anos”, acresceu. “Nunca direi que o silêncio é um remédio. Ignorar a seu filho ou sua filha com tendências homossexuais é um defeito de paternidade ou de maternidade.”

Em resposta, associações francesas LGBT chamaram as palavras do pontífice de “irresponsáveis”. “Condenamos estas declarações que fazem referência a uma ideia de que a homossexualidade é uma doença. Se há uma doença esta é a homofobia arraigada na sociedade”, criticou Clémence Zamora-Cruz, porta-voz da associação Inter LGBT. A polêmica também chegou às redes sociais. No Twitter, a associação francesa SOS Homofobia também qualificou as palavra de “graves e irresponsáveis”. “Incitam o ódio contra as pessoas LGBT na nossa sociedade, já marcada por alto nível de homofobia.”

Nesta segunda-feira (27), a assessoria do papa retirou a referência à psiquiatria na declaração dada, destacando que o sumo pontífice não quis abordar o tema como “uma doença psiquiátrica”. “A palavra “psiquiatria” foi retirada do “verbatim” publicado hoje pelo serviço de imprensa do Vaticano, para não alterar o pensamento do papa”, explicou à AFP uma porta-voz do Vaticano. “Quando o papa se refere à “psiquiatria”, é claro que ele faz isso como um exemplo que entra nas coisas diferentes que podem ser feitas”, explicou a mesma fonte. “Mas, com essa palavra, ele não tinha a intenção de dizer de que se tratava de uma doença psiquiátrica, mas que talvez fosse necessário ver como são as coisas no nível psicológico”, acrescentou.

Histórico – Francisco não tem histórico de críticas à população LGBT. Em 2013, em uma situação semelhante, em conversa com jornalistas após a viagem ao Brasil, disse que “se uma pessoa é gay e procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-lo”. “O Catecismo da Igreja explica isso bem. Diz que eles não devem ser marginalizados”, insistiu.

Em maio, o chileno Juan Carlos Cruz, que sofreu abuso sexual, quando criança, de um padre, afirmou que o papa disse a ele que Deus o fez gay, “o ama assim e a mim não importa”.

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