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Sombra de CR7, Modric leva prêmio de melhor do mundo de forma injusta

Este texto não é uma crítica ao excelente Luka Modric, um dos grandes jogadores desta geração e um dos responsáveis pela grande campanha croata na Copa do Mundo de 2018. O meia foi peça importante nas consecutivas conquistas do Real Madrid na Europa, além de maestro nas partidas de sua seleção. Mas “só” isso, muito pouco para ser elito o melhor jogador do mundo. Cristiano Ronaldo, sim, tem todas as credenciais para a honraria máxima.

É claro que o futebol não se resume a gols, critério em que Modric é esmagado pelo português, com quem dividiu vestiário na última temporada, antes do camisa 7 trocar Madri por Turim. Por falar nisso, Modric nunca saiu da sombra de Cristiano Ronaldo no Santiago Bernabéu. Como pode, então, ser considerado melhor que o ex-companheiro? É, no mínimo, incoerente.

Luka Modric é meia. Em um time com o setor formado por Toni Kroos e Casemiro, é claramente o atleta que tem mais obrigação de guarnecer os homens de frente e, às vezes, balançar, ele próprio, a rede adversária. Porém, o croata terminou 2017/18 com apenas dois gols marcados.

No Campeonato Espanhol, onde sua equipe é amplamente favorita em 36 dos 38 compromissos da tabela, ele marcou apenas uma vez, nas 26 oportunidades que esteve em campo. Também foi tímido no quesito na Liga dos Campeões, quando anotou seu solitário tento na vitória merengue sobre o modesto Apoel, do Chipre, por 6 x 0, ainda na fase de grupos.

O passe é uma das grandes características do croata. Porém, ele pouco transformou a virtude em assistências para gols do Real Madrid na última temporada. Modric foi resposável por oito passes para os companheiros anotarem, o mesmo número de Cristiano Ronaldo, por exemplo, que tem por obrigação principal empurrar a bola para dentro, função quie exerce com maestria e a fez em 44 oportunidades na última temporada, em 44 vezes que esteve em campo pelos “galácticos”.

É impossível não lembrar da Copa do Mundo, fator que, claramente, influenciou os votantes na escolha do vencedor do The Best. Modric chegou até a final com a surpreendente Croácia, sendo um dos grandes responsáveis por isso, frise-se. Também é importante recordar que seria um dos culpados diretos por uma eliminação nas oitavas de final, para a Dinamarca, quando desperdiçou um pênalti perto do apito final. Depois, foi salvo pelos milagres de Subasic, que levaram os croatas adiante.

Na Rússia, marcou duas vezes e deu uma assistência, sendo esta a única participação direta em gol na fase de mata-mata. Não teriam Griezmann, Mbappé e Hazard, por exemplo, feito uma Copa melhor que a do croata? A premiação é dada, muitas vezes, como um “prêmio de consolação” a um grande nome do time derrotado na final.

Cristiano Ronaldo, por sua vez, parou ainda nas oitavas. Antes disso, teve atuação memorável diante de uma conturbada Espanha, além de, praticamente sozinho, levar a frágil Seleção Portugal às oitavas, onde encontrou um Uruguai mais sólido e mais forte.

Luka Modric não foi o melhor jogador do mundo na última temporada. Beira o inimaginável crer que um atleta, à sombra de um companheiro de time durante todo o período, seja considerado melhor que ele. Em quantas, das 50 vezes que entrou em campo, Luka Modric foi, verdadeiramente, o protagonista? Em quantas viu, de camarote, Cristiano Ronaldo brilhar e “garantir o bicho” do elenco que ele fazia parte?

A década do duopólio Cristiano Ronaldo-Messi acabou oficialmente, mas é difícil acreditar que isso tenha ocorrido na prática. A Copa do Mundo deve ter seu peso, claro, mas a votação é “contaminada” pela paixão quando conta com 25% dos votos de torcedores. O risco da escolha ser motivada unicamente por paixão é grande, como não poderia deixar de ser. Modric venceu o The Best, mas o melhor, de fato, foi Cristiano Ronaldo.

 

 

 

 

Victor Gammaro – Especial para o Correio

 

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