Política

Rodrigo Maia desiste do Planalto e Centrão oficializa apoio a Alckmin

Agora é oficial: o Centrão — bloco formado por DEM, PP, PR, PRB e SD — apoia Geraldo Alckmin (PSDB) na corrida presidencial deste ano. O anúncio que confirmou a aliança, que já vinha sendo costurada desde a semana passada, foi feito na manhã desta quinta-feira (26/7) em Brasília, após encontro entre líderes dos partidos. Com a decisão, Alckmin se cacifa como o presidenciável que terá maior tempo de rádio e tevê, um importante diferencial para o sucesso de candidaturas no Brasil.

Mesmo tendo flertado a certa altura com o PDT e Ciro Gomes, as siglas optaram por seguir com os tucanos. Na noite de quarta-feira, dirigentes das siglas se reuniram na casa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para articular os últimos detalhes antes do anúncio formal. Ficou acertado que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciaria a desistência de concorrer ao Planalto — o que foi feito com a leitura de uma carta no evento.

Acenando para as câmeras, Alckmin se mostrou contente no evento. Ao discursar, saudou o empresário Flávio Rocha e o ex-ministro da Ciência e Tecnologia Aldo Rebelo (SD). Ele também afirmou que a junção com os cinco partidos é uma questão de “convicção” das siglas, já que não lidera a pesquisas de intenção de voto. “Fui candidato em 2006, fui para o segundo turno, mas acabei não vencendo. Hoje, sinto um clima totalmente diferente e me sinto mais amadurecido. Tanto pela experiência, sofrimento e adversidade”, disse.

O tucano também agradeceu o apoio das lideranças, e calculou os deficits econômicos, além de citar o número de desempregados no Brasil. “Não é uma tarefa para um partido só, ou uma pessoa só. É para um coletivo”, afirmou. Em um possível governo, ele disse estar empenhado em buscar emprego, renda e desenvolvimento. Ao lado de 11 homens à mesa, Alckmin afirmou que, para compor os ministérios em 2019, terá “o máximo possível de mulheres”. 

Ainda sem vice

O tucano continua com um problema: a escolha do vice. O primeiro cotado, Josué de Alencar (PR) , filho do ex-presidente José de Alencar, até declarou apoio ao pré-candidato do PSDB, mas a mãe do empresário, Marisa Gomes, não gostou do afastamento do filho do PT.

Agora, um dos bem cotados para o posto é o ex-ministro da Educação Mendonça Filho (DEM). O problema é que essa “dobradinha” pode acabar deixando os democratas muito fortalecidos, já que a sigla também pretende concorrer à reeleição para a presidência da Câmara dos Deputados, com Rodrigo Maia. Por último, uma eventual parceria com o ex-ministro da Ciência e Tecnologia Aldo Rebelo (SD) poderia desagradar dirigentes do Centrão, já que Rebelo tem pensamentos considerados muito à esquerda.

Questionado sobre o assunto, Alckmin disse não ter pressa na escolha, mas que o assunto deve ser oficializado até 4 de agosto, data na qual o PSDB fará a convenção partidária. “Para ter vice, tem que ter candidato. Mas só hoje que o Centro Democrático (como o Centrão prefere ser chamado) decidiu pela nossa pré-candidatura. A partir de agora, vamos nos debruçar pela questão de vice”, afirmou.

Antes do anúncio, Mendonça frisou apoio ao tucano, mas desconversou sobre o assunto de ser vice. “O que posso dizer é que ele (Josué) é um nome superqualificado e eu me sentiria superfeliz em ter ele me vice”, garantiu. Sobre Alckmin, o ex-ministro também não poupou elogios, ao dizer que “não existe solução fácil na vida pública, mas ele é o melhor caminho”. 

Carta de Maia

No início da coletiva, o presidente nacional do DEM, o deputado ACM Neto, leu uma carta de Rodrigo Maia, na qual o demista mostra os feitos à frente da Câmara dos Deputados e se afirma como candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, primeiro passo para seguir como presidente da Câmara.

O presidente nacional do Solidariedade, Paulinho da Força, disse estar “alegre” pela oficialização do apoio à candidatura de Alckmin. O deputado federal Milton Monte (PR), em nome do partido, também discursou em favor da aliança, ao dizer que a sigla escolhia Alckmin por acreditar que, juntos, todos “vão construir um futuro para o povo brasileiro”.

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