Opinião

Quem foi Marighella? O terrorista homenageado por Wagner Moura

O ator e diretor Wagner Moura, conhecido por interpretar um dos mais importantes personagens do cinema brasileiro, o Capitão Nascimento (Tropa de Elite 1 e 2, 2007 e 2010), agora homenageia Carlos Marighella, terrorista e assassino integrante da Ação Libertadora Nacional (ALN), guerrilha instaurada no Brasil para lutar contra os militares e implantar o comunismo no país.

Embora o nome do terrorista seja amplamente conhecido, poucos conhecem sua história, que vai desde a pregação de emboscadas para derrotar os inimigos à defesa da sabotagem de trens de passageiros. Marighella, o verdadeiro, branco – talvez pardo – e terrorista nada tem a ver com o defendido por Wagner Moura em suas coletivas de imprensa no Festival de Berlim.

Fazendo uso de um discurso claramente corporativista, em defesa dos radicais de esquerda e a um passo de defender aquilo que o terrorista pregava no seu Manual do Guerrilheiro Urbano, obra publicada com o intuito de ensinar como lutar contra a “repressão”, Wagner Moura ousa usar a imagem de Marielle Franco, vereadora filiada ao PSOL e longe de atuar com 1/100 da brutalidade pregada por Marighella.

Comparar Marighella a Marielle é o mesmo que colocar no mesmo pote Malcom X Martin Luther King Jr. Ideologias à parte e sem querer compará-los, Marielle e Luther King eram grandes idealistas, cada um com sua linha de pensamento. Por outro lado, Marighella e Malcom X foram dois terroristas extremamente violentos que levavam a vida na radicalidade, pregando a morte dos considerados inimigos.

Para se ter ideia da comparação violenta, esdrúxula e absurda que Wagner Moura fez ao equiparar a ex-vereadora ao terrorista, segue trecho o Manual do Guerrilheiro Urbano:

“É claro que o conflito armado do guerrilheiro urbano também tem outro objetivo. Mas aqui nos referimos aos objetivos básicos, sobre tudo às expropriações. É necessário que todo guerrilheiro urbano tenha em mente que somente poderá sobreviver se está disposto a matar os policiais e todos aqueles dedicados à repressão, e se está verdadeiramente dedicado a expropriar a riqueza dos grandes capitalistas, dos latifundiários, e dos imperialistas.” (Manual do Guerrilheiro Urbano, Sabotagem, Ed. 2003 p. 7).

Em uma pequena biografia de Marighella, o portal Brasil Escola cita uma das “expropriações” a que se referia o assassino. A ALN, grupo terrorista criado por ele, em 10 de agosto de 1968, performou o assalto ao trem pagador, que percorria a linha Santos-Jundiaí, para obter recursos para financiar o grupo e outros atos terroristas.

Entre outras coisas, Marighella também é responsável por explosões e execuções, sendo estas últimas também defendidas no seu Manual.

Execução é matar um espião norte-americano, um agente da ditadura, um torturador da policia ou uma personalidade fascista no governo que está envolvido em crimes e perseguições contra os patriotas, ou de um “dedo-duro”, informante, agente policial, um provocador da policia.
Aqueles que vão à polícia por sua própria vontade fazer denúncias e acusações, aqueles que suprem a polícia com pistas e informações e apontam a gente, também devem ser executados quando são pegos pela guerrilha.
A execução é uma ação secreta na qual um número pequeno de pessoas da guerrilha  se encontram envolvidos. Em muitos casos, a execução pode ser realizada por um franco atirador, paciente, sozinho e desconhecido, e operando absolutamente secreto e a sangue frio. (Manual do Guerrilheiro Urbano, p. 42).

Ao defender Marighella e compará-lo a Marielle Franco, Wagner Moura diz que a vereadora assassinada era igual a um homem que se autodeclarava terrorista – isto! Marighella não é considerado terrorista por ter sido de extrema-esquerda, mas sim porque assim se declarava, como pode ser visto em outro trecho de seu Manual.

O terrorismo é uma ação, usualmente envolvendo a colocação de uma bomba ou uma bomba de fogo de grande poder destrutivo, o qual é capaz de influir perdas irreparáveis ao inimigo.

O terrorismo requer que a guerrilha urbana tenha um conhecimento teórico e prático de como fazer explosivos.

O ato do terrorismo, fora a facilidade aparente na qual se pode realizar, não é diferente dos outros atos da guerrilha urbana e ações na qual o triunfo depende do plano e da determinação da organização revolucionária. É uma ação que a guerrilha urbana deve executar com muita calma, decisão e sangue frio.

Ainda que o terrorismo geralmente envolva uma explosão, há casos no qual pode ser realizado execução ou incêndio sistemático de instalações, propriedades e depósitos norte-americanos, fazendas, etc. É essencial assinalar a importância dos incêndios e da construção de bombas incendiárias como bombas de gasolina na técnica de terrorismo revolucionário. Outra coisa importante é o material que a guerrilha urbana pode persuadir o povo a expropriar em momentos de fome e escassez, resultados dos grandes interesses comerciais.

O terrorismo é uma arma que o revolucionário não pode abandonar. (Manual do Guerrilheiro Urbano. p. 46).

Outra peripécia – deve ser assim que o Wagner Moura vê os atos cometidos por Marighella – do terrorista foi uma explosão que levou à amputação de umas das pernas de uma das vítimas próximas ao local. Pasmem: não fosse a amputação grave o suficiente, a mesma Comissão de Anistia que homenageou o terrorista, decretou indenização de R$ 500 para a vítima de Marighella. A história completa, e algumas outras, pode se conferida aqui.

Resta saber: é Wagner Moura um militante da extrema-esquerda, defensor do terrorismo, explosões e da execução de inimigos, ou apenas um completo analfabeto funcional, que desconhece completamente a história de Carlos Marighella, personagem central e homenageado em seu novo filme? Seja qual for a resposta, coitada de Marielle, que serve como palanque para a promoção de alguém desse nível.

 

 

 

 

 

 

Por João Guilherme

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