Educação/Cultura

Projeto ‘Filhos do Eja’ ajuda pais a retomar os estudos

sedec_eja_luisaugustocrispim_foto_gilbetofirmino-184-300x218A estudante de 21 anos Adrana Bastos precisou abandonar os estudos várias vezes e só há pouco mais de um ano consegue estudar sem pausas. A também mãe de três filhos, a estudante de 26 anos Ana Sara Cruz parou os estudos por 12 anos porque não tinha quem cuidasse dos filhos. A falta de uma pessoa para auxiliar também fez a estudante de 20 anos, mãe de um filho, entrar para a estatística da evasão escolar.

Em comum, as três, neste ano, concluirão o Ensino Fundamental. Para isto, contaram com o auxílio de um programa pioneiro da Prefeitura Municipal de João Pessoa que dispõe de um local, dentro da escola, para que os filhos dos alunos da Educação de Jovens e Adultos não abandonem as salas de aula. Trata-se do projeto “Filhos do Eja”.

São 26 escolas da Rede Municipal de Ensino que dispõem do programa. Ao todo, cerca de 200 crianças, com idade entre três e 12 anos, que frequentam as escolas no mesmo horário em que os pais assistem às aulas. Enquanto os pais prestam atenção no conteúdo didático, as crianças estão sob os cuidados de uma cuidadora que capricha nas atividades lúdicas e recreativas.

“Só posso definir como maravilhoso. É uma sensação que nem consigo explicar assistir às aulas e saber que meus filhos estão aqui ao lado com todo o cuidado”, disse Ana Sara Cruz, que tem crianças de cinco, sete e oito anos na Escola Escritor Luiz Augusto Crispim,onde conclui o Ensino fundamental. “É difícil encontrar uma pessoa que possa ficar com nossos filhos no período da noite. É muito mais feliz estudar num lugar onde nossos filhos também podem estar”, disse Adrana Bastos.

Atividades lúdicas – Embora estejam no ambiente escolar, todas as atividades desenvolvidas pelas crianças que são filhas de estudantes tem um caráter lúdico e recreativo. Durante cerca das três horas, as crianças tem direito à merenda, descanso e brincadeiras.

A atividade trabalha segmentos como artes plásticas, literatura, inclusão digital, música, atividades lúdicas. A escola disponibiliza todos os espaços para a execução das tarefas, a exemplo do refeitório, sala de vídeo, sala de informática e biblioteca. Todos os dias, os participantes são estimulados a aprender novas palavras. O grupo também tem aulas de cidadania, ética, recreação e pintura.

A gestora adjunta da Escola Escritor Luiz Augusto Crispim, Karine Soares, explica mesmo sem aulas, os alunos são inseridos no ambiente escolar. “O principal motivo que eles estejam aqui é auxiliar no aprendizado dos pais. Como as aulas desses pais funcionam à noite e essas crianças já passaram pelas aulas, nossa principal intenção é fazer algo mais descontraído. No entanto, nada impede que eles sejam inseridos dentro do ambiente escolar, como a participação em alguma atividade comum a todos”, disse.

Projeto pioneiro – O ‘Filhos da EJA’ existe há nove anos, mas ganhou força nos últimos dois com a expansão do programa passando a atingir mais escolas na Capital. Objetivo de evitar a evasão escolar daqueles que estão nas escolas fora da faixa etária.

O projeto oferece a possibilidade de os estudantes levarem seus filhos para a escola no horário das aulas, já que não ter com quem deixar as crianças pode ser um fator decisivo para que o jovem ou adulto desista dos estudos.

Na rede municipal de ensino são 80 escolas que atendem à EJA, das quais 26 delas possuem estrutura para atender aos filhos dos estudantes. O número, no entanto, pode crescer ainda mais, dependendo da demanada dos estudantes. Para que uma cuidadora seja contratada é necessário que haja, ao menos, de dez a doze crianças.

Quando é informada da necessidade de cada escola, a PMJP designa cuidadores para tomar conta das crianças durante as aulas. Enquanto os pais estudam, os pequenos desenvolvem atividades recreativas e lúdicas junto com a cuidadora, que supervisiona tudo.

A EJA – A Educação de Jovens e Adultos é reconhecida pela Lei de Diretrizes e Base da Educação, LDB nº 9.394, como modalidade de ensino da Educação Básica responsável pela escolarização de pessoas que não puderam ter acesso ou continuidade aos estudos na faixa etária correspondente.

A faixa etária mínima para ingresso na EJA é de 15 anos completos para qualquer um dos ciclos, que são quatro e compreendem todo o Ensino Fundamental, do 1º ao 9º ano. Para completar os quatro ciclos são necessários dois anos, com carga horária mínima de 800 horas em cada um.

Redação com PMJP.

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais popular

T O P O