Brasil

Presidente não admitiu a CPMF na reforma tributária, diz Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta sexta-feira que o presidente Jair Bolsonaro telefonou para ele do hospital, “entubado”, para dizer que não quer a criação de uma nova CPMF na reforma tributária.

“Estávamos simulando um imposto de transação financeira, só que o presidente sempre foi contra esse imposto e pediu pra não colocar” afirmou Guedes.

O ministro confirmou que a equipe econômica trabalhava com uma alíquota de 0,4% para o tributo sobre pagamentos, mas, mostrando irritação, afirmou que os números não deveriam ter sido levados a público ainda.

Segundo Guedes, o ex-secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, exonerado esta semana, já havia pedido para deixar o cargo “inúmeras vezes” por achar que estava atrapalhando o governo.

“Eu dizia: se você tiver que cair um dia que caia junto com o imposto” afirmou Guedes.

“Quem fez o Orçamento do ano passado foi o outro governo, eles botaram (crescimento de) 2,5%, e eu sabia que não ia ser 2,5% porque não fizemos as reformas. Agora, sim, fizemos as reformas e quem sabe ano que vem vai ser 2,5%”, disse Guedes. “Eu por exemplo acho que tem uma boa chance de o país se mover bem ano que vem. (Pode ser crescimento de) 2,5%, pode ser 1%, 1,5%, não sei”, acrescentou.

Para este ano, ele diz não ter certeza se o crescimento será de 0,8% ou 1%.

Economistas projetam um crescimento de 0,87% para 2019 e de 2,07% para o próximo ano, segundo o último relatório Focus do Banco Central com estimativas do mercado.

Em entrevista a correspondentes estrangeiros, Guedes afirmou, ainda, que é “fake” a informação de que o presidente Jair Bolsonaro quer derrubar a regra do teto de gastos.

“Bolsonaro está 100% fechado comigo no teto de gastos”, afirmou o ministro.

No início do mês, Bolsonaro defendeu a preservação do teto de gastos, afirmando que ceder nessa questão seria “abrir uma rachadura no casco do transatlântico”.

Fast track – Guedes afirmou ainda que planeja criar, em 2020, um sistema fast track (sistema de aceleração dos processos) para avançar com as as privatizações de estatais.

Segundo ele, a meta de privatização deste ano, estimada em R$ 80 bilhões, foi praticamente alcançada com a venda de subsidiárias da Petrobras, como a Transportadora Associada de Gás S.A (TAG) e a BR Distribuídora. Um movimento mais amplo deve ocorrer no ano que vem, na avaliação do ministro.

“Nossa meta, de R$ 80 bilhões, foi praticamente atingida antes do fim do ano, com BR Distribuidora e outras pequenas desestatizações. As maiores vamos avançar no ano que vem, vamos criar um fast track para as privatizações, para acelerar (o processo)”, afirmou.

O ministro destacou ainda as medidas realizadas pelo governo parar abrir o mercado de gás natural no país, como a diminuição do papel da Petrobras no mercado e a criação do Comitê de Monitoramento da Abertura do Mercado de Gás Natural (CMGN), com vigência até o fim de 2021.

Guedes estima que,  em um ano e meio, o Brasil consiga reindustrializar sua estrutura produtiva, em cima da energia barata.

“Vamos trazer, de US$ 13 para US$ 6, o milhão de BTU de gás (unidade de medida), pelo menos, nesse momento inicial, que é o preço na Europa e Japão “, destacou aos jornalistas.

Saneamento – O ministro também confirmou que deve encaminhar nas próximas duas semanas uma nova medida provisória (MP) do saneamento básico, a fim de flexibilizar o investimento privado na área. Segundo Guedes, o objetivo é reduzir as desigualdades entre regiões e as taxas de mortalidade, uma vez da falta de recursos estatais para investimento na área.

 

 

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