Entretenimento

Mayweather x McGregor, a luta de R$ 2 bilhões. De onde vem a grana?

Desde o combate de 1910 entre James Jeffries e Jack Johnson, todo promotor sonha em organizar a próxima luta do século. E a segunda luta do século do boxe nesta década será Floyd Mayweather x Conor McGregor. O duelo de sábado (26/8), em Las Vegas, provavelmente marcará a renda recorde para um evento esportivo de um só dia. A expectativa é de que o faturamento supere os R$ 2 bilhões. O card principal começará às 22h (horário de Brasília). No Brasil, a transmissão será exclusiva pelo canal Combate.

O recorde atual de faturamento pertence ao combate entre Mayweather e Manny Pacquiao, em 2015, na primeira vez em que um evento do tipo passou de US$ 600 milhões — o equivalente a R$ 1,9 bilhão.

Toda a promoção do evento deste fim de semana se baseia no insólito encontro entre os reis de duas modalidades diferentes. O norte-americano Mayweather, um dos maiores boxeadores da história, detém um cartel perfeito de 49 vitórias em 49 lutas. O irlandês McGregor, detentor do cinturão peso-leve do UFC, foi o único a manter dois títulos da franquia ao mesmo tempo. As regras de sábado serão as do boxe, mas com uma alteração: as luvas ficarão mais leves, com uma redução de 10 para 8 onças (284g para 227g), o que tende a deixar o combate mais rápido.

O combate dará a Mayweather terá uma bolsa mínima de US$ 100 milhões. A de McGregor é de US$ 75 milhões. Os valores podem chegar a US$ 400 milhões e US$ 127 milhões, respectivamente, caso as metas de audiência sejam batidas. O valor final não será divulgado, pois ambos assinaram contratos de confidencialidade. E, ainda assim, sobrará dinheiro para os organizadores. Como conseguir tanto dólares?

 

Pay-per-view

Nos maiores eventos de lutas nos Estados Unidos, a venda de pacotes para TV costuma representar mais de 80% do faturamento total. O pay-per-view do card em alta definição (HD) custa US$ 99, o equivalente a R$ 310. O de baixa definição sai a US$ 89, cerca de R$ 280. Os preços são os mesmos da luta Mayweather x Pacquiao, de dois anos atrás, comprada por 4,6 milhões de norte-americanos.

Espera-se que Mayweather x McGregor consiga vender ainda mais. Desta vez, o UFC participa da promoção do evento, e a franquia tem experiência bem-sucedida nesse tipo de acordo. Na semana passada, Dana White projetou que serão negociados 4,9 milhões de pacotes nos EUA, o que transformaria a luta na mais assistida na história da TV.

O lucro de US$ 400 milhões com os direitos de transmissão de Mayweather x Pacquiao, portanto, provavelmente será superado. Para isso, também será importante o interesse do mercado internacional. A luta de 2015 levantou US$ 35 milhões no exterior, mesmo com dificuldades de negociação — no Brasil, por exemplo, a transmissão só foi fechada quatro dias antes. O combate de sábado já está vendido para todos os países da América Latina; mercados importantes, como Reino Unido, Austrália, Índia e Escandinávia; e estará disponível para a compra de usuários de PlayStation.

Vendas de ingressos

A superluta deve estabelecer um recorde de faturamento com venda de ingressos. O Mayweather x Pacquiao de 2015 levantou US$ 70 milhões em bilheteria e levou ao MGM Grand astros de todas as praias, de Nicki Minaj a Donald Trump. O ginásio tem capacidade para 1,2 mil pessoas a menos do que a T-Mobile Arena, que receberá o evento de sábado.

O melhor público da arena da Sin City até hoje é de 18.533 espectadores, número que será superado pelo combate entre Mayweather e McGregor. Todos os ingressos já estão vendidos. A única maneira de ir à luta é pelas mãos de cambistas. Eles já cobram US$ 30 mil por uma entrada.

Patrocínio

A ESPN estimou que a a luta Mayweather x Pacquiao levantou US$ 15 milhões em patrocínio e US$ 1 milhão em merchandising. O combate do fim de semana vai superar essa quantia. O Daily Telegraph reportou que a expectativa de Mayweather é de levantar US$ 25 milhões, sozinho, com acordos comerciais.

Só com a exposição de marcas em seus trajes, o lutador mais rico do planeta vai faturamento US$ 20 milhões. Três quartos do lucro está nos shorts. Um anúncio naqueles centímetros da costura frontal, por exemplo, sai a US$ 3,5 milhões. O espaço ficará com a Hublot, marca suíça de relógios.

Bom para todo mundo

O lucro não é só dos promotores e dos lutadores. As casas especializadas do Reino Unido, a um Atlântico de distância, esperam uma movimentação de US$ 380 milhões em apostas. A região está no foco internacional da promoção do duelo, devido à origem irlandesa de McGregor. No mês passado, a turnê internacional de entrevistas coletivas começou em Londres.

A economia da cidade que receberá o combate também será impulsionada. Segundo estudo da entidade The Las Vegas Convention and Visitors Authority, a luta entre Mayweather e Pacquiao injetou mais de US$ 150 milhões na economia de Nevada em apenas um fim de semana. O lançamento de uma música exclusiva dedicada à luta, gravada pela banda The Killers, é só uma das tantas cerejas nesse bolo de dinheiro.

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais popular

T O P O