Justiça

Ex-deputado Carli Filho é condenado por morte de dois jovens em acidente

No segundo dia de julgamento, o ex-deputado estadual do Paraná Luiz Fernando Ribas Carli Filho foi condenado nessa quarta-feira a 9 anos e 4 meses de prisão em regime fechado por duplo homicídio com dolo eventual pelas mortes de Gilmar Rafael Souza Yared e Carlos Murilo de Almeida. O júri popular que o condenou começou na terça-feira e terminou ontem na 2ª Vara Privativa do Tribunal do Júri, em Curitiba. Os jurados consideraram que ele assumiu o risco de matar ao dirigir em alta velocidade e alcoolizado.

“Espero, sinceramente, que o presente julgamento tenha ajudado, com a força de sua ampla divulgação, a mudar um hábito de violência no trânsito; a ser instrumento de consenso para uma sociedade minimamente melhor, onde os deveres cívicos sejam encarados como propriedade privada, mas como uma responsabilidade pública”, declarou o juiz Daniel Ribeiro Surdi de Avelar, presidente do júri, ao ler a sentença.

Apesar da condenação, Carli vai recorrer em liberdade. O ex-deputado deixou o tribunal calado, sob gritos de “assassino”. Na terça, ao ser interrogado, pediu perdão às mães e assumiu ter errado, apesar de ressaltar que não teve a intenção de matar.

“É um marco divisório na justiça desse país. É uma conclusão democrática e um basta na violência no trânsito. Buscamos aqui demonstrar que esse hábito de beber e dirigir não pode ser uma banalidade”, comemorou o promotor Marcelo Balzer.

A defesa procurou desqualificar o dolo eventual, a fim de que o caso fosse tratado como imprudência, mas em nenhum momento pediu a absolvição do réu. “Ele tem que ser condenado, mas não por homicídio doloso”, disse o advogado Alessandro Silvério. Um dos argumentos da defesa foi de que, como o carro das vítimas não parou, mas apenas reduziu a velocidade no cruzamento com semáforo intermitente, os jovens concorreram para o acidente.

De acordo com denúncia, o Passat de Carli voou pela avenida Monsenhor Ivo Zanlorenzi, em Curitiba, e bateu no Honda Fit em que os dois jovens estavam, matando ambos na hora, em 7 de maio de 2009. O então parlamentar dirigia em velocidade entre 161km/h e 173km/h, conforme laudos periciais, com a carteira de habilitação cassada (130 pontos e 30 multas, sendo 23 por excesso de velocidade) e alcoolizado (ele próprio confessou ter bebido e dirigido). Ele teve ferimentos graves na cabeça e ficou internado por quase um mês.

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