Ciência e Saúde

Como identificar transtorno bipolar? Quadro reveza depressão, euforia + 22 sintomas

A pessoa que sofre com o transtorno bipolar nem sempre percebe que possui a condição, o que prejudica o diagnóstico e o tratamento. Cabe principalmente aos amigos e familiares entenderem como identificar comportamento bipolar para ajudar a pessoa com o transtorno.

Para isso, é preciso saber que, apesar de comumente taxado como qualquer alteração de temperamento, o transtorno bipolar vai muito além da mudança de humor: ele prejudica todas as esferas da vida e dá 24 sinais, a depender da fase que está.

O que é transtorno bipolar

Transtorno bipolar, transtorno afetivo bipolar ou transtorno bipolar de humor são nomes dados a um distúrbio caracterizado pela alternância de episódios de depressão ou mania e hipomania (quadros marcados pela euforia extrema).

O psiquiatra Fábio José Pereira da Silva, da Associação Brasileira de Psiquiatria e da Doctoralia, conta que os episódios podem ser curtos, longos ou ainda se apresentarem em conjunto, em um misto de mania e depressão.

Apesar da variedade de nomes, o mais adotado é Transtorno Bipolar, visto que termos relacionados ao afeto e ao humor têm diferenças técnicas que podem confundir a população.

Causas

Ainda não se sabe exatamente o que causa o transtorno, mas a soma de fatores genéticos, biológicos e ambientais é apontada como uma das razões de seu desenvolvimento. Entre eles, estão hereditariedade, alterações cerebrais e episódios traumáticos.

Como identificar uma pessoa bipolar?

De acordo com a psicóloga Tatiane Paula Souza, da Doctoralia, os padrões de comportamento podem variar de pessoa para pessoa, mas a alternância entre euforia extrema e depressão sempre ocorrem.

“As fases maníacas incluem ideias e atitudes consideradas brilhantes pelo próprio paciente, que é capaz de liderar e tomar grandes decisões, sendo visto como excepcional em qualquer atividade. Porém, uma hora o gasto excessivo de energia se esgota e o indivíduo cai em um estado depressivo de falta de energia e tristeza generalizada que o deixam improdutivo, facilmente frustrado e, em alguns casos, com ideações suicidas”, ressalta a especialista. Com isso, surgem danos aos relacionamentos, trabalho e todas as demais esferas da vida do bipolar.

No entanto, o psiquiatra Fábio José Pereira da Silva ressalta que mudanças de humor podem se apresentar em indivíduos saudáveis e até mesmo em outras patologias, sendo que apenas um especialista terá conhecimento e ferramentas necessárias para identificar transtorno bipolar.

“Não basta apenas apresentar os sintomas, existem diversas outras características complexas  que apenas um médico reconhecerá. Muitas pessoas chegam ao consultório após buscarem questionários e informações na internet, o que é válido para rastrear possíveis doentes, mas pode provocar suspeitas falsas em quem não tem o distúrbio”, explica.

Assim, ao desconfiar da patologia recorra a um médico para ser avaliado e receber as devidas orientações.

Sintomas

Como se alterna entre mania e depressão, os sinais de transtorno bipolar são divididos em:

Fase maníaca ou hipomaniaca

Temperamento muito excitado e eufórico;Irritação ou impaciência;Energia física exagerada;Hiperatividade e realização de diversas tarefas simultaneamente;Dificuldade para dormir;Fala e pensamento acelerados;Comportamentos arriscados;Aumento extremo da libido;Acreditar que tem habilidades especiais ou que é alguém de extrema importância na sociedade;Confiança, ego e otimismo excessivos.

A hipomania apresenta as mesmas características, mas em menor grau.

Fase depressiva

Assim como os usuais sintomas de depressão, esta fase no transtorno bipolar inclui:

Redução da energia física e surgimento do cansaço e fadiga;Tristeza constante;Falta de vontade e esperança;Dores e outras manifestações físicas não explicadas, ou seja, não causadas por doenças ou lesões;Redução do apetite sexual;Falta de prazer em atividades que antes gostava;Problemas de concentração;Problemas de memória;Sensação de culpa;Alterações de apetite, como comer demais ou de menos;Alterações do sono, como dormir demais ou sentir insônia;Pensamentos de autodestruição, morte ou suicídio.

Tratamento da bipolaridade

A ideia de que transtorno bipolar tem cura infelizmente ainda não é verdadeira, contudo, o tratamento adequado diminui e previne novas crises.

O primeiro passo para melhorar é buscar ajuda de um psiquiatra, que é o profissional mais adequado para diagnosticar a bipolaridade ou perceber se o quadro se trata de outro transtorno.

Já os medicamentos incluem, majoritariamente, a prescrição de estabilizadores de humor. Por vezes, também podem ser administrados anticonvulsivantes, antipsicóticos e, em casos mais raros, antidepressivos.

A psicoterapia, em especial a cognitivo-comportamental, também é indicada para ensinar a pessoa a lidar com seus pensamentos. “As sessões ajudam o bipolar a identificar pensamentos e sentimentos anormais causados pela doença e controlar sua mente”, explica a psicóloga e terapeuta Tatiane Paula Souza.

Mudanças no estilo de vida também são necessárias, como praticar atividades físicas, manter uma dieta saudável, dormir bem e evitar álcool e drogas.

Como lidar com uma pessoa bipolar?

Se tratada, a pessoa com Transtorno Bipolar estará assintomática a maior parte do tempo, ou seja, seu humor estará estávell.

Porém, os episódios de mania ou hipomania e depressão requerem sensibilidade por parte de amigos e parentes. Neles, indica-se ter muita paciência, respeito e carinho com o bipolar e, em casos de dúvida ou dificuldades, buscar ajuda médica.

“Uma vez diagnosticada, os familiares e amigos próximos devem buscar informações e, ao mesmo tempo, estarem atentos ao que o médico psiquiatra e o psicólogo clínico orientaram nos casos de crises”, conta a psicóloga.

Além disso, qualquer um dos sinais de comportamento suicida é de extrema importância. Nesses casos, tente conversar com a pessoa e buscar um profissional com urgência.

Outra orientação válida é que pessoas que convivam com indivíduos com transtornos psiquiátricos também se cuidem. O acompanhamento com psicólogo é de grande valia já que ajuda os familiares e amigos a lidarem com os surtos sem se sobrecarregarem demais.

 

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