Libertadores

Com o Grêmio fora, o Palmeiras joga sonho do Mundial nesta quarta-feira

O cenário era ideal para o Grêmio até os 35 minutos do segundo tempo. A equipe vencia por 1 a 0, na Arena, e acumulada vantagem de dois pelo triunfo na ida, em Buenos Aires. A partir daí, o sonho virou um pesadelo. Com dois gols em 13 minutos, o segundo em pênalti assinalado após consulta ao vídeo, o time argentino saiu de eliminado a primeiro ocupante da decisão da Libertadores 2018.

A equipe agora aguarda a definição do adversário na decisão. O seu arquirrival Boca Juniors visita o Palmeiras, no Allianz Parque, nesta quarta. O time portenho venceu na ida por 2 a 0 e tem boa vantagem.

Palmeiras x Boca

Em quase todas as partidas, a torcida do Palmeiras entoa um grito de guerra (copiado do Boca Juniors, adversário desta quarta), que afirma ser a Libertadores uma “obsessão”. Mas isso não vale apenas para os torcedores.

É por momentos como esse que a Crefisa, patrocinadora e parceira do futebol, investe cerca de R$ 100 milhões por ano. Pelo modelo de contratações que usou no clube, foi multada por R$ 30 milhões pela Receita Federal.

São noites como esta que podem realizar o sonho da diretoria de levar o clube para o Mundial e buscar o título que falta, embora o Palmeiras reivindique o reconhecimento da Taça Rio de 1951.

Tudo isso estará em jogo quando o Palmeiras entrar em campo para enfrentar o Boca e disputar uma vaga na final às 21h45 desta quarta, no Allianz Parque.

Depois de perder a primeira semifinal em Buenos Aires por 2 a 0, o time brasileiro precisa vencer por três gols de diferença. Se devolver o placar do jogo de ida, a vaga será resolvida nos pênaltis. Na Libertadores, o gol fora de casa conta como critério de desempate.

A não ser pelos sete minutos finais em La Bombonera, tudo corria como o técnico Luiz Felipe Scolari planejou. O Palmeiras tinha controle da partida. Não ameaçava no ataque, mas não levava sufoco na defesa. Até que o atacante Darío Benedetto entrou e marcou duas vezes.

“O resultado foi muito enganoso. Eles não jogaram para fazer dois gols. O Palmeiras tem time para devolver esse resultado em casa”, analisou o lateral Diogo Barbosa.

Favorito ao título brasileiro, com quatro pontos de vantagem na liderança sobre o Flamengo, a classificação para a final da Libertadores pode fazer com que a conquista nacional se torne um acessório.

Quando o mesmo Luiz Felipe Scolari levou o Palmeiras ao título continental de 1999, a equipe também reverteu resultado desfavorável no primeiro jogo contra rival argentino. Depois de perder para o River Plate por 1 a 0 em Buenos Aires, fez 3 a 0 no antigo Palestra Itália.

“Não vejo nenhum monstro”, disse o meia Alex, ao se referir ao time atual do Boca Juniors. O ex-camisa 10 foi o craque da virada na semifinal contra o River. “O Palmeiras precisa apenas jogar futebol. Em Buenos Aires só se defendeu, agora, precisa empurrar e incomodar o Boca.”

Na decisão daquele ano, a equipe também teve de reverter a vantagem do adversário. Depois de perder na Colômbia por 1 a 0 para o Deportivo Cáli, anotou 2 a 1 em São Paulo e foi campeão nos pênaltis.

“O Palmeiras tem de marcar em cima, correr para pegar a bola quando tiver lateral pra eles, encaixar seguidos ataques. Tudo isso inflama a torcida. Dudu, Willian e Borja agora vão ter outra atitude. E quanto ao Boca, se eles fizeram dois gols em cinco minutos, por que o Palmeiras não pode marcar duas vezes em 90?”, questionou Zinho, titular da conquista continental.

Apesar da derrota nos minutos finais em La Bombonera, Scolari não ficou irritado. Fez questão de cumprimentar o chileno Roberto Tobar, juiz da partida. Considerou que foi a melhor arbitragem em um jogo do Palmeiras na Libertadores deste ano.

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