Opinião

A segunda chance de um prisioneiro

A Justiça brasileira é doce como mel e leve como pluma quando o assunto é punir criminosos, sobretudo os de colarinho branco e amigos da Corte.

Condenado a mais de doze anos de prisão, o ex-presidente Lula teve a pena diminuída pelo STJ e fará jus, a partir de setembro, à chamada progressão de regime.

Lula poderá voltar para São Bernardo do Campo, trabalhar durante o dia e pernoitar em casa, mantendo-se recolhido nos finais de semana e feriados. Aos 73 anos de idade, o líder do Partido dos Trabalhadores deixará a suíte-cela da Polícia Federal de Curitiba pouco mais de um ano após sua reclusão.

Nunca é tarde para aprender e mudar. Lula terá a oportunidade de se reintegrar à sociedade e iniciar o processo de ressocialização, adotando um estilo de vida oposto ao do tempo em que praticava crimes em série – o ex-presidente cometeu ilícitos diversos e responde ainda a seis processos penais.

Assim como é difícil para um dependente químico manter-se distante das drogas ou para um alcoólatra manter-se longe da bebida, certamente será difícil para o petista, quando em liberdade, não corromper (e ser corrompido), não “lavar” dinheiro e não se organizar de forma criminosa, como acostumou-se durante os últimos anos.

Quem me acompanha no blog ou nas redes sociais sabe que sou um ferrenho combatente do lulopetismo, mas acredito que todos merecem uma segunda chance.

Nesse caso, tão logo sua condenação de 1a instância (sítio de Atibaia) seja confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4a região, a “alma mais honesta do Brasil” terá, outra vez, a oportunidade de se arrepender pelo recente passado dedicado ao crime, ainda que numa confortável sala de Estado Maior em Curitiba ou São Paulo.

 

 

Ricardo Kertzman

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